Milena e o Teste
Milena tinha 19 anos e era a garota mais linda da cidade. Todo seu charme de menina mulher encantava os homens de todas as idades. Não tinha nada que ela não conseguia, com seu jeitinho, sorriso ou uma cruzada de pernas.
Naquele ano tinha entrado para a faculdade graças ao monitor e um outro candidato. O monitor não conseguia tirar os olhos de suas pernas enquanto o colega ia passando as respostas da prova. Até ai não tinha nenhuma novidade toda sua vida estudantil, vinha sendo levada daquele jeito solto, mas agora era uma mulher independente, morando longe da casa dos pais, cheia de novas amizades, festa e badalação.
Comprou varias armas. Sapatos, bolsas, brincos, roupa sexy e etc. Estava preparada para sua nova vida. Escolheu o salão de cabeleireiros mais caro da cidade e tratou logo de ficar amiga do Tony.
Tony é um grande cabeleireiro e confidente, as mulheres sempre o procuram para fazer um visual novo ou para contar as novas fofocas. Tony adorou Milena desde o primeiro dia que ela apareceu em seu salão, era uma garota tão naturalmente fútil e vazia que os dois se completavam e tudo girava em torno das estações e tendências da moda, ele sempre lhe dava conselhos de como abordar um homem. Ele gostava de homens inteligentes e do tipo que vão à padaria só de shorts de náilon depois de malharem bem seus corpos sarados. Milena queria mais, além de um belo corpo, uma condição social também era muito importante. Aquele tinha que ser o seu ano, já estava com 19 anos e tinha que conseguir alguém à altura de suas expectativas.
Quando escutou o radialista falar no rádio, que fulano de tal. O musico famoso ia se apresentar naquela noite, ela quase não acreditou. Deixou o café esfriando na mesa da cozinha pegou sua bolsa e foi correndo falar com o Tony, ele estava fazendo uma permanente em uma loira para o show da noite. Ficou sentada olhando as revistas dos famosos enquanto esperava ser atendida. Todas aquelas festas, praias e gente famosa. A partir daquela noite ia fazer parte deste mundo de sonhos, sempre sonhou em casar com um sujeito famoso e rico.
Suas amigas na faculdade de letras diziam que ela podia escolher qualquer sujeito, tinha tudo para agarrar seu futuro com as duas mãos e sem precisar força, bastava um olharzinho pedindo carinho e ele estaria fisgado.
Se não gostasse dele podia pedir o divórcio. Ficaria com uma boa renda até encontrar o seu próximo amor. Tinha que começar se não desce certo, podia sempre recomeçar. A conta no banco iria apenas crescer. Casas na praia, na serra, viagens para Europa, comprar tudo que visse e gostasse. Ficou ali folhando as revistas durante uma hora e nem percebeu que mais mulheres iam chegando e passando a sua frente, o salão estava lotado, o show tinha agitado as mulheres da cidade. Não tinha um salão na cidade que não estivesse lotado. Tony lhe falou para dar uma volta e voltar mais tarde, estava sem uma brechinha na agenda para encaixá-la, mas no final da tarde daria um jeito.
Mas Tony você precisa me atender, meu amor esta na cidade. Quase chorando falou.
Tony tentou lhe responder da maneira mais gentil. Eu sei querida, quero te ajudar. Sou seu fá, mas têm outras na frente.
Milena suplicou de joelhos, é uma questão de miséria ou fortuna, vou te recompensar, garanto.
Eu sei, mas agora não da, passa depois a tardinha amor. E já foi dando as costas para Milena e falando com outra cliente que estava lavando os cabelos.
Ela saiu arrasada e foi comprar uma roupa nova, entrou em umas dez lojas, olhando, experimentando, pechinchando. O dia passou tão rápido que quando ela notou já estava na hora de voltar para o salão.
Fez tudo, ela queria um dia de princesa. Como tinha visto na televisão. E Tony e mais duas assistentes lhe deram tudo, pés, mãos, cabelo, maquiagem, banho de espuma. O tratamento de uma rainha. Uma hora antes de começar o show ela estava pronta. Toda produzida dos pés a cabeça, não tinha esquecido nenhum detalhe, mas se lembrou de uma coisa terrível. Tinha esquecido de comprar um perfume novo. Quase entrou em choque, uma das assistentes perguntou de qual perfume ela queria, no salão tinha algumas amostras grátis, mas nenhum servia. Tinha que ser especial. Sua vida dependia de um perfume especial. Chamaram um taxista e ela falou o nome e onde ele podia encontrar.
O sujeito saiu correndo pela cidade, na primeira loja que entrou não tinha, e o taxímetro ligado, rodando, rodando. Conseguiu na segunda e voltou para o salão. Milena estava tomando um copo de água com açúcar e Tony a estava abanando com um leque feito de penas de faisão. Muito colorido.
Ela colocou o perfume e foi correndo para dentro do táxi. Partiram em direção ao teatro onde ia ser o show, no caminho pegaram um tremendo engarrafamento. O relógio não parava, ela já estava atrasada quinze minutos. Milena começou a xingar o taxista, os outros motoristas, pedestres, todos que estavam passando. Tinha perdido a pose, só não estava se escabelando por que tinha que chegar intacta para seu amor.
Foi um alivio quando desceu na frente do teatro nem olhou para trás correu direto para a bilheteria, o taxista nem se importou tinha sido um prazer levar ela e ficar sentindo aquele perfume dentro do automóvel. Ele ficou apenas olhando sua bunda e o gingado de seus quadris.
A bilheteria era uma destas novas. Toda fechada com vidro, para evitar contaminação com os clientes que iam assistir às peças, alguém poderia estar gripado ou ter algum outro vírus e o vidro isolava, regras da casa dizia o dono. Funcionário doente é prejuízo em dobro.
O senhor da bilheteria usava um terno preto, camisa branca, óculos escuros. Quando ela pediu um bilhete para o show, ele se aproximou do microfone e falou que já estava esgotado, não tinha mais nenhum ingresso. Milena começou a fazer seu jeitinho de conseguir as coisas algumas caras e bocas sensuais. Sabia que o sujeito tinha no mínimo o dobro de sua idade, mas nunca foi problema pra ela. Já tinha seduzido muitos daquela idade também. Falou de maneira tão meiga e doce, que o vendedor, pediu que falasse mais alto.
Ela resolveu apelar e mostrou o decote da blusa que mostrava seus seios jovens e durinhos, do tamanho perfeito para qualquer um ninguém resiste ao decote de Milena. Mas o sujeito ainda assim insistia em dizer que estava lotada a casa e agora já se passava trinta minutos, como se a cada toque da campainha na bilheteria ele estivesse sendo informado da hora.
Resolveu jogar pesado com o sujeito e levantou a saia até que ele pudesse enxergar suas calcinhas pretas e a inscrição na frente “me possua!”, escrita em letras brancas com um ponto de exclamação vermelho.
Faltavam cinco minutos para terminar a apresentação, e ela ainda estava insistindo. O senhor já estava de saco cheio e gritou, vê se vai encher o saco de outro garoto!
Você é cego por acaso! Ela gritou já toda escabelada e a maquiagem misturada com as lágrimas.
O sujeito da bilheteria chamou o segurança para tirar ela, mas as portas do teatro já estavam se abrindo e todo mundo saindo. No meio da confusão ela perdeu um dos sapatos e alguém roubou sua bolsa.
Levou quase meia hora para esvaziar o teatro, Milena sendo levada de um lado para o outro, as pessoas saindo felizes rindo e se divertindo, nem a notaram. Quando tudo ficou calmo ela viu o senhor da bilheteria saindo de seu casulo com a bengala branca.
Introdução aos contos (II parte)
Há 17 anos

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